quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Leonilson Gigante com Flores

Leonilson Gigante com Flores é o nome de um dos livros da coleção Arte à Primeira Vista, Ed Paulinas.


Direcionado ao público infanto juvenil, o livro pretende aproximar os leitores ao universo poético do artista brasileiro Leonilson (1957 - 1993).

A obra de Leonilson inclui pinturas, desenhos, bordados, algumas esculturas e instalações. Para a crítica de arte Lisette Lagnado, o artista foi movido pela necessidade de registrar sua subjetividade. Em 1989, apresentou peças feitas com botões, pedras semipreciosas e bordados, introduzindo um novo e fundamental procedimento em seu trabalho: a costura.

Palavra e o texto também aparecem na obra do artista desde o início e se integram às imagens, transformando-se nos próprios desenhos ou pinturas. Se caracterizam por ser escrita livre, escolhidas pela musicalidade dos versos ou das palavras.

 "A obra do artista José Leonilson é repleta de índices taxonômicos: listas, números, coleções, símbolos, repetições. Seu legado constitui um grande arquivo, impregnado de memórias, classificações, vida e transposições. Esses arquivos de referências pessoais são compostos de materiais recolhidos do cotidiano, como tíquete de viagens, entradas de cinema, matérias de jornal e revista com informações pessoais, de amigos ou de sua obra, programações das exposições, fotos, contas, endereços, telefones, cartões, relatos de viagem, uma refinada escrita poética, esboços de trabalhos e demais particularidades.
A presença do caráter colecionista em sua personalidade e em seu trabalho se evidencia na coleção de brinquedos e no conjunto de signos recorrentes utilizados em toda a sua obra (ampulheta, símbolo do infinito, números, navio, escada, ponte, relógio, avião, farol, instrumentos musicais, átomo, vulcão, montanha, cadeira, bússola, torre, radar etc.). Delimitando todo esse trajeto, costurando todos os pontos, encontra-se a vida, o secreto, o particular, o romântico, que migrou de forma fluente e poética de seu cotidiano para sua produção artística.
Nesse processo de catalogação ou arquivamento do eu, o ‘’mundo’’ foi uma das metáforas mais utilizadas, assim como a geografia unida à topologia do corpo (mapas, globos, rios, caminhos, trajetos, artérias, vias, órgãos, cidades, desejos), que compõe uma espécie de cartografia do desejo. Dentro dessa investigação taxonômica do mundo, a palavra foi um dos agentes processuais mais legítimos e, por meio dela, foi composto um inventário regido pela identificação, observação e classificação." Bitu Cassundé e Ricardo Resende

O livro Leonilson Gigante com Flores, é constituído a partir desta integração entre texto e imagens.





Acompanhado do caderno-ateliê, o livro traz propostas de atividades a serem desenvolvidas pelas crianças.

Em 2010, realizei um trabalho com os alunos do 3° ano do Fundamental sobre o artista. Encontrei a riqueza na variedade de processos artísticos e conceitos que foram trabalhados como desenhos de observação, pinturas, relação entre imagens e palavras, costura, identidade.

Abaixo, alguns trabalhos feitos pelas crianças.






Mas foi inspirada nesta obra de Leonilson que criamos o trabalho mais bacana de todos. 


Ninguém, 1992   bordado sobre algodão


Depois de devidamente aproximados da obra do artista, propus às crianças que fizéssemos um travesseiro. Elas poderiam bordar seus nomes ou o desenho de observação que mais tivessem gostado. Neste momento, foi importante orientá-los a escolherem um desenho simples pois bordar era o verdadeiro desafio.
Primeiro eles bordaram o desenho. Depois, uniram três laterais do travesseiro, juntado a parte da frente com a parte de trás. Formou-se assim um "saquinho" no qual preenchemos com manta acrílica. Por fim, fechamos o travesseiro. E eles ficaram assim:








Ao dar relevo ao bordado, criou-se um objeto de arte. Diferente e contemporâneo.

Para saber muito mais....

sites

livros
Leonilson: Use, é lindo, eu garanto. Leonilson. Ed CosacNaify
Leonilson: São tantas verdades. Lisette Lagnado. Ed DBA

Outros livros da coleção Arte à Primeira Vista no Blog
http://arteemprocessos.blogspot.com.br/2012/11/lygia-clark-linhas-vivas.html

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Livro Maluco dos Monstros

Gosto muito de fazer este livro nas primeiras aulas do semestre por ser uma atividade leve e lúdica.

O Livro Maluco dos Monstros serve como estímulo ao desenho criativo e se torna um material interessante para ser aproveitado pelo resto do semestre. Tendo-o na sala de aula, as crianças gostam de apreciá-lo nos momentos livres.

Inicio esta atividade com o mito da Caixa de Pandora. Além da história ser maravilhosa e prender a atenção das crianças, ela fala sobre o surgimento dos monstros. Contar uma história é um bom caminho para sensibilizar as crianças ao tema que se deseja trabalhar.

Depois da história, mostro também algumas ilustrações de monstros e enfim, explico como funciona o Livro Maluco.


Primeiramente o educador precisa preparar as folhas.
Em uma folha de sulfite A4 ou em  tiras de sulfite A3 cortadas ao meio no sentido horizontal, deixa-se espaço para a margem na lateral, faz-se duas linhas dividindo a folha em 3 partes e, em cada linha, dois pontinhos. Os pontinhos da linha  de cima são as guias para desenhar o pescoço do monstro e, os pontinhos da linha debaixo, as guias para desenhar o quadril ou pernas do monstro.

É importante fazer um desenho utilizando essas marcações na frente das crianças, para que elas possam entender com mais facilidade.

Entrega-se uma folha com as marcações para cada criança e inicie a atividade. Nestes desenhos foram utilizados somente canetinhas hidrocor.


Após terminado o desenho, corta-se o papel nas duas linhas de referência. Quando juntam-se todos os desenhos, temos o Livro Maluco dos Monstros, no qual as crianças podem criar outros inúmeros monstros mudando suas cabeças, barrigas ou pernas.





O Livro Maluco dos Monstros torna-se um livro interativo e todo feito pelas crianças.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Rabiscos, Taro Gomi

O livro Rabiscos de Taro Gomi é surpreendente. Como o próprio site da editora Cosac Naify define, Rabiscos é "muito mais do que um caderno para colorir, é um convite à criação e à brincadeira."



Neste livro o ilustrador Taro Gomi inicia desenhos e sugere propostas a serem continuadas pelas crianças. Me chamou a atenção a qualidade das propostas. São instigadoras e inovadoras, propiciando assim desenhos que fogem do comum.



Nesta paisagem por exemplo, o autor propõem que o céu seja colorido. Porém, a cada paisagem o tempo muda, variando entre o céu azul como muitas nuvens, o pôr do sol, muita chuva, um lindo arco íris ou uma noite escura. Nestas páginas, as crianças são colocadas em outras situações de céu que fogem daquele sempre azul. Além disso, elas passam a perceber outras cores que compõem o céu como o laranja e o rosa que surgem no final do dia.



Por esta e muitas outras montanhas como as mostradas abaixo, as crianças são convidadas a desenharem animais, árvores, plantas, rios, lagos e tudo mais que poderia compor a paisagem.




Já aqui, a sugestão é desenhar o fundo do mar.



As crianças também podem desenhar o rosto de seus amigos,


seus corpos,



as estampas da camisetas, 


ou mesmo os chapéus de cada personagem!



Também podem passear pelos meios de transportes e desenhar seus condutores.





Enfim, estes são alguns exemplos da riqueza presente neste livro. Com folhas bem durinhas e resistentes, pode-se também variar os materiais utilizados, partindo para pinturas e colagens.

Acredito que Rabiscos, além de ser um ótimo livro para as crianças se envolverem no tempo livre, pode vir a ser também um ótimo material para professores que buscam atividades diferentes. Infinitas são as possibilidades de Rabiscos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Preto no Branco, Branco no Preto

É comum que relacionemos crianças à coisas coloridas. Em qualquer atividade direcionada à elas, estimula-se o colorido. E é fato, cores e crianças tem tudo a ver!

Elas gostam do verde, do azul, do vermelho, do amarelo, do rosa... Mas, em algum momento, é interessante também que elas possam se aproximar do preto e do branco.

Para desviar um pouco do habitual colorido, elaborei esta atividade para as crianças de 2 e 3 anos. Minha proposta era que elas fossem expostas ao preto e ao branco, explorando-os, sentindo-os em seus contrastes e misturando-os, descobrindo assim o cinza.

Entreguei para cada uma um papel metade branco metade preto, unindo as folhas com durex na parte de trás.


Ofereci tinta preta e branca e cotonetes para desenhar.
Não disse nada além das cores à serem trabalhadas na aula.


No início, algumas crianças só colocavam a tinta branca no papel branco e tinta preta no papel preto. Obtinham assim um desenho bastante organizado em suas cores! Aos poucos, fui propondo que elas usassem  as duas cores nos dois papeis. E então, outras imagens foram aparecendo.



Outras crianças já se aventuravam pelo papel inteiro.




E outras ainda, mais minuciosas, descobriram as diversas tonalidades do cinza.


Enfim, este é um trabalho simples sobre cores, cheio de experiência e informação.




terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Paisagem da Janela

Estimular o desenho em seus diversos formatos é fundamental nas aulas de artes visuais. Nesta atividade procurei trabalhá-lo de forma simples, porém lúdica.

Cortei uma folha de papel sulfite A4 ao meio no sentido horizontal. Dobrei as extremidades da tira de papel levando-as ao meio, formando uma janelinha.



Neste formato, pequeno e lúdico pelo fato de abrir e fechar, instiguei meus alunos de 6 anos a desenharem uma paisagem.

Poderia ser a paisagem da janela de suas casas ou quartos, ou uma paisagem da cidade, que viam ao vir ou voltar da escola. Pelo pequeno tamanho do papel, os estimulei a pensar sobre os detalhes presentes nesta paisagem que nem sempre aparecem nos desenhos, como fios elétricos, postes, lixeiras, faixa de pedestres, bicicletas, varandas, portões, semáforos, entre outros.

Depois desta pequena conversa cheia de memórias, entreguei lápis 6b e lápis de cor.







É interessante observar como as crianças lidaram com todos os elementos na organização do desenho. 

Nesta atividade buscou-se também ampliar o repertório gráfico de cada criança, que poderá vir a enriquecer desenhos posteriores.





As crianças se dedicaram a desenhar a paisagem com seus detalhes e também em decorar a janelinha por fora.



O resultado é um trabalhinho charmoso e com bons desenhos para serem olhados.

domingo, 11 de novembro de 2012

Lygia Clark Linhas Vivas

Desenvolver atividades de artes com crianças de forma à aproximá-las do universo poético da artista Lygia Clark me parece uma possibilidade rica em experiências.

Ao propor uma arte em que o espectador interage, manipula e modifica a obra, Lygia Clark abriu um diálogo entre arte e corpo, sendo também o corpo o espaço privilegiado para atividades com crianças.



O livro Lygia Clark Linhas Vivas faz parte da coleção Arte à Primeira Vista da Editora Paulinas.
Feito para os pequenos, apresenta textos e imagens adequados à eles.





O livro vem acompanhado de um caderno-ateliê com propostas de atividades. Há, inclusive, uma sugestão de montagem dos Bichos (1963).

Talvez este seja o único material educativo sobre a artista direcionado para crianças, e de ótima qualidade.

O site da Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark além de disponibilizar um rico material sobre a artista, como textos escritos por ela, revela um modelo de construção de um bicho (1963) e apresenta algumas propostas para professores, com ideias e sugestões de atividades.

O video abaixo demonstra como fazer as Estruturas de Caixas de Fósforos (1964), e tem uma introdução bem interessante sobre a artista.



Enfim, mãos à obra.

Veja também: http://arteemprocessos.blogspot.com.br/lygia-clark.html