terça-feira, 4 de setembro de 2012

Desenho debaixo da mesa

Arte, corpo e criança formam a tríade fundamental para pensar atividades em arte e educação. Principalmente, no que se destina à Educação Infantil.

Sempre que busco uma proposta diferente, procuro priorizar este aspecto, essa união do corpo com o fazer artístico. Atualmente, encontramos diversos livros e autores que enfatizam este olhar.

Anna Marie Holm já nos disse isso no livro Baby Art e Stela Barbieri nos reafirma essa união no livro Interações: Onde está a arte na infância?, de onde extraí este parágrafo:

"Na arte contemporânea existe um espaço privilegiado para se discutir as questões relativas ao corpo. Muitas obras utilizam o corpo do artista e a percepção corpórea do espectador como partes de sua constituição. O corpo também é espaço privilegiado para as crianças pequenas. Para elas, nada é mais natural do que experimentá-lo. É comum que queiram passar por lugares bem estreitinhos; se desafiar no espaço, experimentar seu corpo de outro jeito - as aulas de artes podem se tornar um espaço de experimentação."

E é impressionante como atividades como essas dão certo, e as crianças, realmente aproveitam.

Um dia, propus às crianças que fizéssemos desenhos debaixo da mesa. Exatamente lá, naquele lugar muitas vezes proibido.

Coloquei papéis debaixo da mesa de forma bem simples, grudando-os com fita crepe.




Depois, explicava a elas o local aonde estavam os papéis, para desenhar daquele dia. Elas já se animavam. Em algumas salas, nas quais as crianças não haviam me visto preparar a atividade, eu as instiguei a procurar os papéis pela sala.  Elas nem desconfiaram que poderia estar debaixo da mesa.

Enfim, com um material bem simples, começou a atividade.


Com exceção de bem poucos, todos se animaram em ficar debaixo da mesa, desenhando.
Para uns, o movimento era constante. Sai de uma mesa, troca de giz, entra em outra etc. Já outros, adoraram a possibilidade de desenhar deitado.


E, como professor também tem que participar, lá fui eu também pra debaixo da mesa.
Parece que lá embaixo tudo muda. Todos estão deitados. Você só vê seus rostinhos interessados nos seus desenhos, pedindo outros, gostando de estar lá.
Adorei e recomendo.



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Introdução

Queria trabalhar massas com as crianças, de forma que, ao final do processo, houvesse algum resultado visual e não somente a exploração.
Neste contexto, a coordenadora de artes da escola na qual eu trabalhava, me apresentou à obra da artista brasileira Teresa Viana. Reconhecemos no trabalho dela uma forma para que as crianças se aproximassem das possibilidades da pintura contemporânea. Criou-se assim um pequeno projeto.


                                                                                                Pintura, 2001

                                               Pintura Expandida, Paço das Artes, 2003

                                                                 Pintura, 2005

 
                                                                                    Colagem, 2006

Teresa Viana (1960), é um artista carioca radicada em São Paulo.
Sua obra seduz pela cor. Mas, para além das intensidades cromáticas, sua pintura é volumosa.
Maria Alice Milliet escreve:

"A exuberância da matéria é revelada pela presença subversiva dos pigmentos, da "cor desejada", tão diferente da cor domesticada, daquela que pretendendo ser fiel à natureza não passa de dado convencional. A ousadia da cor estimula a percepção, não deixa ninguém indiferente, desperta o olhar de seu sono de mesmice, atrae ou repele. O pigmento chega a extremos de provocação ao impregnar a massa densa, dútil, capaz de encrespar superfícies, solicitando o toque ou ao menos, o tatear com os olhos.
Depois do impacto inicial, é apreciar ou recusar. Fica assim, por um momento, perplexo quem vê os quadros de Teresa Viana pela primeira vez. Prosseguir na observação é permanecer cativo da tensão que agita o plano da tela em ondas, sulcos, redemoinhos, em vibrações pictóricas exacerbadas. Render-se ao estímulo sensual é coisa que pouca gente consente. Logo, o observador procura reconhecer alguma forma, algo conhecido, ver o que pode tirar daquele caos. Começa por achar uma flor, talvez várias num lago ou uma paisagem com vegetação e por aí ..."


Inspiradas na obra da artista, desenvolvemos quatro atividades: colagem gigante, pintura com massa,  pintura com massinha de modelar e pintura sobre tela.
Todas serão relatadas aqui.

Para saber mais sobre a artista acesse http://www.teresaviana.com.br/index.php

sábado, 25 de agosto de 2012

A Rainha das Cores

Considero o livro A Rainha das Cores (Jutta Bauer, Cosac&Naify) um despertar, um começo.


Coralina é a rainha. Ela é quase rabugenta e cheia de personalidade, assim como seus súditos, o Azul, o Vermelho e o Amarelo.

Em uma trama imersa em intriga e felicidade, conhecemos um a um e todos eles.



Quando mostro o livro para as crianças, elas desconfiam. Primeiro, suspeitam que alguém rabiscou o livro. Depois, acham que eu mesma o pintei. Afinal, como um material tão comum, e às vezes tão sem emoção, como o giz de cera ou o lápis de cor (não sei bem ao certo) poderia compor um livro, onde o que não falta são emoções?

Adoro A Rainha das Cores. Seja como uma introdução ao mundo das cores, seja de forma mais despretensiosa, como um estímulo aos rabiscos coloridos, para que Coralina se sinta feliz.
Pois, entre Coralina e Colorida há muito pouco!

 

E abaixo, uma animação interessante, inspirada no livro.

domingo, 19 de agosto de 2012

Colagem de Miudezas

Foi pesquisando no livro "Iniciação à arte para crianças pequenas", de MaryAnn Kohl, que tirei esta ideia.
Queria trabalhar colagem com as crianças de 2 anos, mas não estava com vontade de usar cola e fazer aquela meleca.
Então, vi uma colagem feita diretamente sobre contact, utilizando pequenos objetos.


No livro, a autora indica a utilização de sementes e grãos. Já eu preferi utilizar estrelinhas, pedacinhos de papel, miçangas, lã.

O processo desta colagem foi bem interessante. Primeiro, as crianças ficam intrigadas com o contact. Elas não se aguentam e colocam a mão inteira nele. E então, vão tentando se desgrudar do contact ao mesmo tempo que o vão colando em outras partes. Chega a ser engraçado.


Algumas crianças realmente não se entendem com ele. Neste caso, é preciso de ajuda.
Depois, fui colocando sobre a mesa as miudezas. A concentração é total. Elas se esforçam com suas mãos gordinhas e desajeitadas para pegarem os materiais.


Depois de feita a colagem, grudei o contact em papel lumi de diferentes cores, e reforcei as laterais com duréx.




Esta colagem também pode ser colocada em vidros de janelas para aproveitar a transparência do contact. E, os materiais a serem utilizados, são infinitos.

Agora, muito cuidado se algumas crianças costumam colocar objetos na boca. Neste caso, é melhor fazer outra atividade.

Os pequenos acharam "lindo!" o trabalhinho. Mas também, fica colorido, ajeitado e chamativo. Com cara de criança.









domingo, 12 de agosto de 2012

Ernesto Neto

A revista Avisa Lá (agosto/2011) publicou uma matéria sobre uma proposta de atividade um artes, que abrangia a obra do artista Ernesto Neto.


Achei o resultado tão interessante que resolvi fazer o mesmo.
A obra do artista Ernesto Neto (1964) se situa entre a escultura e a instalação. O artista cria espaços que solicitam mais que a experiência visual, aguçando todos os sentidos.O corpo prevalece como o centro de sua proposta poética.


Pensando então na integração do corpo à experiência artística da criança, fiz uma instalação na escola procurando oferecer novos estímulos sensoriais.
Solicitei às crianças que trouxessem uma meia-calça velha e separei diversos materiais passíveis de serem usados como areia, espuma, grãos, pedrinhas, bolas de tênis ou de isopor, bexigas, massinha, jornal, papel celofane, pequenos instrumentos musicais como caxixi, sino de vaca, ganzá e cheiros como café, canela e cravo.



Após observarem algumas obras do artista, cada criança foi preenchendo um pé de meia-calça com esses materiais. Depois de finalizado, essas meias foram sendo colocadas no pátio. Já durante o processo de criação da instalação, as crianças puderam desfrutar de todas as sensações, tocando, sentindo os aromas, ouvindo alguns sons e enriquecendo sua poética visual.



Uma combinação que fez bastante sucesso foi preencher bexigas com massinha de modelar. Fica um pouco dura e boa de apertar.





Para saber rmais acesse:  http://www.avisala.org.br/


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Massa de Maisena

Uma vez, a coordenadora da escola em que eu trabalhava me disse assim: "Eu acho que todas as pessoas deveriam pintar com as mãos."
Adorei este comentário.
Fiquei pensando como nos esquecemos que coisas boas, como colocar a mão na tinta por exemplo, não deveriam ser somente "coisas de criança".
Tenho essa mesma sensação em relação a massa de maisena. É diferente, quase hipnotizante. Eu mesma adoro mexer.


A receita é simples: água e maisena.
Procure uma consistência em que a massa não fique líquida nem sólida. O ideal é que ela tenha certa resistência ao ser pega, dando a sensação de ser dura. Mas, quando na mão, ela escorre e se desfaz como algo mole.


Antes de misturar a maisena com a água, é interessante fazer com que as crianças sintam a maisena em pó. Ela é bem mais fina e macia que a farinha.

Com as crianças pequenas é bom dar alguns instrumentos, como palitos de sorvete, para que elas explorem bem a massa.

E não se assustem com a sujeira pois essa massa é inacreditavelmente fácil de limpar, tanto as mãos quanto as vasilhas. Basta colocar na água e pronto. Ela desaparece.


Mas atenção, essa massa não serve para modelagens. Seu único objetivo é explorar, mexer e sentir. E é até por este descompromisso que eu a acho bem interessante. Mãos na massa então!




terça-feira, 31 de julho de 2012

As silhuetas de Michel Ocelot

Após as crianças assistirem a animação Príncipes e Princesas de Michel Ocelot, gosto de trabalhar com elas atividades que envolvam luz, sombras e silhuetas.


Há infinitas possibilidades de trabalho com esta temática que, inclusive, pode se tornar um pequeno projeto em artes visuais. Por ora penso em teatro de sombras, fotografias, capturas de sombras com desenho, atividades que envolvam o retroprojetor ou mesmo, animação.

Uma forma é trabalhar como Michel Ocelot, com recortes de silhuetas de papel.

Recortes de silhuetas de Michel Ocelot em papel preto para "Principes e Princesas", e em papel branco para "Os Três Inventores"

Entreguei às crianças papel preto e tesouras. Se elas forem muito pequenas (de 6 a 7 anos), procuro fazer com que elas desenhem com a tesoura mesmo, pois, se elas desenharem com lápis para depois recortar, o desenho se perde. Depois disso, cola-se em um papel vegetal, colorindo-o com canetinhas hidrocor.
Ao se colocar o trabalho contra a luz (pode ser no vidro de uma janela), tem-se esse resultado.


                                                    Trabalhos na janela 

Uma outra forma de aproveitar mais a questão da luz e da sombra, aprendi com uma amiga professora.
Primeiro as crianças recortam as silhuetas em papel branco (o canson mesmo). Depois gruda-se os recortes com pedacinhos de fita crepe por baixo em outro papel canson branco. Com rolinhos, pinta-se todo o papel com as silhuetas grudadas com tinta preta. Ao final do processo portanto cria-se dois trabalhos, um com luz e o outro, com sombra.