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sábado, 13 de abril de 2013

Pelas Pinturas de Leda Catunda - Atividade I

Após me aproximar dos conceitos e da estética presentes nas obras de Leda Catunda, organizei uma série de atividades para aproximar as crianças da poética da artista.

Resolvi então trabalhar de forma cronológica, seguindo um pouco a ordem que se apresentava no livro Leda Catunda, organizado por Tadeu Chiarelli e editado pela Cosac e Naify. Este livro foi meu principal objeto de pesquisa, seguido por videos e sites.


Na primeira atividade, mostrei as seguintes obras.

 Vedação em rosa, 1983 acrílica sobre toalhas


 Entre o figurativo e o abstrato, 1983 acrílica sobre tapete sintético


 Vedação em quadrinhos, 1983 acrílica sobre toalhas


 detalhe da Vedação em quadrinhos


Onça Pintada II, 1984 acrílica sobre cobertor
Cobertor, 1983 acrílica sobre cobertor

Antes de falar qualquer coisa sobre elas, deixei que as crianças me relatassem o que viam. Houve um encantamento em reconhecer personagens das histórias em quadrinhos que fazem parte do imaginário infantil.
No entanto logo surgiu a dúvida de quem seriam aqueles personagens e do porque a artista os teria escondido.
Também os instiguei a tentarem reconhecer o suporte usado em cada obra.

Depois de suas suposições, apresentei a artista e falei um pouco sobre as obras e seus suportes.

Nestas obras, Leda Catunda trabalhou sobre imagens prontas presentes em cobertores, toalhas e tapetes.
Sua pintura hora realça a imagem como no caso do gato, do cachorro e da onça. Neles, a artista pinta somente aos redor da imagem, preservando-a.

Já nas outras, a pintora estimula o olhar em uma situação de reconhecimento e dúvida. Conheço esses personagens mas quem serão eles na verdade? Ela esconde algumas partes deixando outras a mostra quase como pistas.

A obra Cobertor foi a que mais mexeu com a curiosidade das crianças e se tornou como um segredo: só a artista sabia em era quele personagem!

Depois de observadas as obras propus que pesquisássemos imagens em revistas de forma a coletar as nossas próprias imagens prontas. Usamos como suporte para a colagem das imagens o papel camurça, por ter uma textura mais macia aproximando-o do tecido. 

Em outra aula, após seca a colagem, lembrei como a artista pintava, realçando a imagem ou escondendo-a. E então as crianças pintaram seus trabalhos.




















Foi interessante observar que nesta pesquisa por imagens prontas, a maiorias das crianças acabaram por escolher imagens que seguissem alguma temática como carros, mapas, cavalos, cachorros, pessoas, plantas entre outros. E, apesar de eu não ter dito nada referente a isso, acredito que essa característica tenha conferido certa expressividade aos trabalhos.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Adriana Varejão

A artista carioca Adriana Varejão é bastante reconhecida no exterior. De forma original, suas pinturas são impregnadas de história, seja ela do Brasil, seja ela da própria condição da arte e da pintura. No MAM SP ocorre a exposição Histórias às Margens, sendo esta a primeira retrospectiva da artista no país. Abaixo o relato da palestra proferida pelo professor e historiador de arte Pedro França, no MAM SP.

Para falar sobre a obra de Adriana Varejão, é preciso fazer um breve apanhado histórico sobre a pintura.

Sobre a Pintura

Em toda a história da arte, a pintura foi a linguagem artística mais conhecida e privilegiada. A relação entre pintura e arte ocorria de forma imediata, como se uma significasse a outra.

Em sua superfície plana, a pintura foi capaz de criar a ilusão de um espaço, operando assim um pequeno "milagre". Ilusão versus materialidade foram aspectos presentes na pintura desde o Renascimento.

No início do século XX , e principalmente com a obra questionadora de Duchamp, a arte ampliou suas possibilidades de materiais e suas características formais.

A arte moderna brasileira dos anos 50 já nasceu com uma perspectiva mais contemporânea, como podemos observar nas obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica.

Nos anos 60/70 no Brasil, a pintura deixou de ser a linguagem  fundamental e se tornou uma entre muitas linguagens. Nesta época, poucos artistas brasileiros se interessaram pela pintura e, os poucos que o fizeram, introduziram novas questões à ela. Como pintar? Porque pintar? O que pintar? foram perguntas que permearam o meio artístico.

Geração 80

É nos anos 80 que a pintura voltou a ser vista com certo vigor. Conhecidos como Geração 80, vários artistas jovens se dedicaram à pintura como linguagem e, em 1984, ocorreu a exposição Como vai você Geração 80, no Parque da Lage, Rio de Janeiro. A produção destes artistas mostraram um cansaço, uma saturação à arte conceitual produzida nos anos anteriores. Ao mesmo tempo, a pintura destes novos artistas apontaram para novos conceitos, visualidades e problemas inerentes à pintura.

Uma imagem passou a ser entendida como um objeto do mundo, sendo capaz de vender produtos, conquistar votos, ganhar crédito. A imagem passou a ter a função ativa de construir o mundo, e não somente de representá-lo.

É dentro deste cenário e destas questões que pode-se entender a obra de Adriana Varejão.

Adriana Varejão

Assim como ocorreu com toda a geração de artistas dos anos 80, a artista migrou de uma pintura tradicional para uma forma mais conceitual. Conceitos como memória, história e a relação com as imagens constituintes dos imaginário brasileiro emergiram em sua obra.

Sua carreira se iniciou nos anos 70, quando pintou as representações que as pessoas tinham das coisas ou dos lugares.






Adriana Varejão se debruçou à forma como nossa história foi contada e às imagens que foram disseminadas e produzidas. De forma muito pessoal, ela fez a arte discutir a história do Brasil. Adriana recriou pinturas e desenhos de paisagistas como Debret, por exemplo, embriagou-se de seu estilo e adicionou uma outra versão à tais imagens.


 




A fragmentação da história do Brasil aparece em sua poética pela própria fragmentação dos azulejos portugueses. A artista discorre sobre sua descontinuidade, sobre seu esquartejamento. A pintura expõem suas próprias vísceras.






 
  


A sensação de umidade é outra característica de sua obra. Suas "saunas" enfatizam este aspecto, se referindo à aquilo que não é apreensível e que não tem uma forma em si.




A umidade tende a ser nossa inimiga. Ninguém gosta de se sentir úmido. No entanto, a história do Brasil pela poética de Adriana Varejão tem este aspecto. É líquida, permeável e sujeita a muitas modulações.






Para saber mais: http://www.adrianavarejao.net/

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Exposição

Em outras postagens, falei um pouco da artista Teresa Viana e das atividades desenvolvidas a partir de sua poética.
Agora, mostrarei como ficou a exposição.
















Nesta exposição, não há nada que não tenha sido produzido pelas crianças e nem atividades complexas, que contassem com a utilização de materiais caros ou diferentes. Tudo é corriqueiro e cotidiano.

Nesta escola também dispúnhamos de uma grande área livre e de painéis removíveis. Podíamos dispô-los no espaço da forma que julgássemos adequado.

Apesar de contar com tal estrutura, o que me deixou satisfeita nesta mostra foi sua clareza visual.





Em arte visuais, precisamos propiciar o momento do olhar. Os processos e as atividades são importantíssimos, e a forma de apresentá-los também. Acredito que em exposições promovidas pela escola, sejam elas grandes ou pequenas, os trabalhos tem que ser valorizados e evidenciados pela organização do espaço para, enfim, se fazerem presentes.


Veja também: Teresa Viana - Propostas de Atividades
                      Teresa Viana - Introdução