Um dia chegou na escola um plástico transparente bem grande. Não sei ao certo o porquê do plástico estar lá mas, assim que o vi, me lembrei de uma das atividades do livo Baby Art.
Utilizar um material transparente como suporte para se fazer pintura me pareceu interessante.
Como não havia uma estrutura parecida como a do livro, dispus o plástico de outra forma. Fiz dele uma parede na qual se podia pintar de ambos os lados.
As crianças, entre 2 e 3 anos, ficaram "quase" enlouquecidas com a dinâmica da aula.
A ideia era que elas, simplesmente, pintassem o plástico. No entanto, a estrutura do suporte ofereceu novas possibilidades de movimento. As crianças deslocaram seus corpos de um lado para o outro, lidaram com o fato do plástico ser continuamente movimentado pelo passar dos pincéis das outras crianças e, pela transparência, podiam ver os amigos que se encontravam do outro lado.
Tudo isso conferiu à atividade uma dinâmica bem agitada e cheia de movimento.
Mas, neste misto entre brincadeira e arte, em nenhum momento elas se mostraram desinteressadas, e os trinta minutos da aula passaram bem rápido.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Exposição
Em outras postagens, falei um pouco da artista Teresa Viana e das atividades desenvolvidas a partir de sua poética.
Agora, mostrarei como ficou a exposição.
Em arte visuais, precisamos propiciar o momento do olhar. Os processos e as atividades são importantíssimos, e a forma de apresentá-los também. Acredito que em exposições promovidas pela escola, sejam elas grandes ou pequenas, os trabalhos tem que ser valorizados e evidenciados pela organização do espaço para, enfim, se fazerem presentes.
Veja também: Teresa Viana - Propostas de Atividades
Teresa Viana - Introdução
Agora, mostrarei como ficou a exposição.
Nesta exposição, não há nada
que não tenha sido produzido pelas crianças e nem atividades complexas, que contassem com a utilização de materiais
caros ou diferentes. Tudo é corriqueiro e cotidiano.
Nesta escola também dispúnhamos de uma grande área livre e de painéis removíveis. Podíamos dispô-los no espaço da forma que julgássemos adequado.
Apesar de contar com tal estrutura, o que me deixou satisfeita nesta mostra foi sua clareza visual.
Em arte visuais, precisamos propiciar o momento do olhar. Os processos e as atividades são importantíssimos, e a forma de apresentá-los também. Acredito que em exposições promovidas pela escola, sejam elas grandes ou pequenas, os trabalhos tem que ser valorizados e evidenciados pela organização do espaço para, enfim, se fazerem presentes.
Veja também: Teresa Viana - Propostas de Atividades
Teresa Viana - Introdução
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Carimbos de Borracha - por Nathália Pelicho e Raquel Fukuda
A oficina Carimbos de Borracha tinha como objetivo aproximar as crianças do processo artístico da xilogravura, recriando-o na borracha.
Xilogravura é uma palavra de origem grega. Destrinchando-a temos: "xilon", que significa madeira, e "grafos" que significa gravar, escrever. A xilogravura é uma técnica de gravura na qual a madeira é utilizada como matriz, sendo talhada por goivas ou outros instrumentos. A imagem produzida na matriz (madeira) pode ser impressa diversas vezes sobre papel ou outro suporte adequado.
Na oficina, primeiramente, as crianças exploraram seus desenhos, buscando aquele a ser transformado em carimbo.
Após selecionado o desenho, as crianças o refizeram na borracha e a talharam, utilizando goivas como instrumentos.
Xilogravura é uma palavra de origem grega. Destrinchando-a temos: "xilon", que significa madeira, e "grafos" que significa gravar, escrever. A xilogravura é uma técnica de gravura na qual a madeira é utilizada como matriz, sendo talhada por goivas ou outros instrumentos. A imagem produzida na matriz (madeira) pode ser impressa diversas vezes sobre papel ou outro suporte adequado.
Na oficina, primeiramente, as crianças exploraram seus desenhos, buscando aquele a ser transformado em carimbo.
Após selecionado o desenho, as crianças o refizeram na borracha e a talharam, utilizando goivas como instrumentos.
Depois de pronto, era só carimbar.
Esta oficina ocorreu no Sesc Osasco, e foi destinada à pais e filhos.
Nathália Pelicho é Bacharel em Arte Visuais.
Raquel Fukuda é Bacharel em Artes Visuais, trabalha em produtoras de animação 2D e 3D, e é curadora do FILE ANIMA.
Veja também Desenho com Carimbos
domingo, 16 de setembro de 2012
Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Propostas de Atividades
Após reconhecer no trabalho da artista Teresa Viana um viés, para apresentar as possibilidades da pintura às crianças de 4-5 anos, (ver Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Introdução) fizemos as seguintes atividades:
Pela percepção das linhas e das cores intensas presentes na obra da artista, fizemos recortes/colagem de papéis coloridos em tamanho gigante. Cada turma que chegava, ia acrescentando recortes de linhas coloridas à colagem.
Fizemos uma pintura sobre tela, buscando a estética observada nas obras. Utilizamos tinta plástica, o que conferia uma viscosidade maior da tinta.
Partindo para as massas, utilizamos massinha de modelar, esticando-a e amassando-a dentro de molduras já prontas. Criou-se assim a percepção da massa como possibilidade presente na arte.
E, fizemos uma massa colorida, misturando farinha, sal, cola, água e tinta guache para, finalmente, chegarmos aos relevos tão presentes nas pinturas da artista.
Depois de prontas as massas, as crianças aplicaram-na em um suporte de madeira branco. Novamente, cada turma que fazia a atividade, ia adicionando suas massas coloridas sobre o suporte, até ela ficar inteiramente revestida.
Dentre tais atividades, as crianças puderam inovar no tamanho e no formato de seus trabalhos, explorar os sentidos tanto visuais quanto táteis, além de ampliarem seu repertório estético.
Todo este processo, resultou numa bela exposição!
Pela percepção das linhas e das cores intensas presentes na obra da artista, fizemos recortes/colagem de papéis coloridos em tamanho gigante. Cada turma que chegava, ia acrescentando recortes de linhas coloridas à colagem.
Fizemos uma pintura sobre tela, buscando a estética observada nas obras. Utilizamos tinta plástica, o que conferia uma viscosidade maior da tinta.
Partindo para as massas, utilizamos massinha de modelar, esticando-a e amassando-a dentro de molduras já prontas. Criou-se assim a percepção da massa como possibilidade presente na arte.
E, fizemos uma massa colorida, misturando farinha, sal, cola, água e tinta guache para, finalmente, chegarmos aos relevos tão presentes nas pinturas da artista.
Depois de prontas as massas, as crianças aplicaram-na em um suporte de madeira branco. Novamente, cada turma que fazia a atividade, ia adicionando suas massas coloridas sobre o suporte, até ela ficar inteiramente revestida.
Dentre tais atividades, as crianças puderam inovar no tamanho e no formato de seus trabalhos, explorar os sentidos tanto visuais quanto táteis, além de ampliarem seu repertório estético.
Todo este processo, resultou numa bela exposição!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Desenho debaixo da mesa
Arte, corpo e criança formam a tríade fundamental para pensar atividades em arte e educação. Principalmente, no que se destina à Educação Infantil.
Sempre que busco uma proposta diferente, procuro priorizar este aspecto, essa união do corpo com o fazer artístico. Atualmente, encontramos diversos livros e autores que enfatizam este olhar.
Anna Marie Holm já nos disse isso no livro Baby Art e Stela Barbieri nos reafirma essa união no livro Interações: Onde está a arte na infância?, de onde extraí este parágrafo:
"Na arte contemporânea existe um espaço privilegiado para se discutir as questões relativas ao corpo. Muitas obras utilizam o corpo do artista e a percepção corpórea do espectador como partes de sua constituição. O corpo também é espaço privilegiado para as crianças pequenas. Para elas, nada é mais natural do que experimentá-lo. É comum que queiram passar por lugares bem estreitinhos; se desafiar no espaço, experimentar seu corpo de outro jeito - as aulas de artes podem se tornar um espaço de experimentação."
E é impressionante como atividades como essas dão certo, e as crianças, realmente aproveitam.
Um dia, propus às crianças que fizéssemos desenhos debaixo da mesa. Exatamente lá, naquele lugar muitas vezes proibido.
Coloquei papéis debaixo da mesa de forma bem simples, grudando-os com fita crepe.
Sempre que busco uma proposta diferente, procuro priorizar este aspecto, essa união do corpo com o fazer artístico. Atualmente, encontramos diversos livros e autores que enfatizam este olhar.
Anna Marie Holm já nos disse isso no livro Baby Art e Stela Barbieri nos reafirma essa união no livro Interações: Onde está a arte na infância?, de onde extraí este parágrafo:"Na arte contemporânea existe um espaço privilegiado para se discutir as questões relativas ao corpo. Muitas obras utilizam o corpo do artista e a percepção corpórea do espectador como partes de sua constituição. O corpo também é espaço privilegiado para as crianças pequenas. Para elas, nada é mais natural do que experimentá-lo. É comum que queiram passar por lugares bem estreitinhos; se desafiar no espaço, experimentar seu corpo de outro jeito - as aulas de artes podem se tornar um espaço de experimentação."
E é impressionante como atividades como essas dão certo, e as crianças, realmente aproveitam.
Um dia, propus às crianças que fizéssemos desenhos debaixo da mesa. Exatamente lá, naquele lugar muitas vezes proibido.
Coloquei papéis debaixo da mesa de forma bem simples, grudando-os com fita crepe.
Depois, explicava a elas o local aonde estavam os papéis, para desenhar daquele dia. Elas já se animavam. Em algumas salas, nas quais as crianças não haviam me visto preparar a atividade, eu as instiguei a procurar os papéis pela sala. Elas nem desconfiaram que poderia estar debaixo da mesa.
Enfim, com um material bem simples, começou a atividade.
Com exceção de bem poucos, todos se animaram em ficar debaixo da mesa, desenhando.
Para uns, o movimento era constante. Sai de uma mesa, troca de giz, entra em outra etc. Já outros, adoraram a possibilidade de desenhar deitado.
E, como professor também tem que participar, lá fui eu também pra debaixo da mesa.
Parece
que lá embaixo tudo muda. Todos estão deitados. Você só vê seus
rostinhos interessados nos seus desenhos, pedindo outros, gostando de
estar lá.
Adorei e recomendo.terça-feira, 28 de agosto de 2012
Teresa Viana e as Possibilidades da Pintura - Introdução
Queria trabalhar massas com as crianças, de forma que, ao final do processo, houvesse algum resultado visual e não somente a exploração.
Neste contexto, a coordenadora de artes da escola na qual eu trabalhava, me apresentou à obra da artista brasileira Teresa Viana. Reconhecemos no trabalho dela uma forma para que as crianças se aproximassem das possibilidades da pintura contemporânea. Criou-se assim um pequeno projeto.
Pintura, 2001
Pintura Expandida, Paço das Artes, 2003
Pintura, 2005
Teresa Viana (1960), é um artista carioca radicada em São Paulo.
Sua obra seduz pela cor. Mas, para além das intensidades cromáticas, sua pintura é volumosa.
Maria Alice Milliet escreve:
"A exuberância da matéria é revelada pela presença subversiva dos pigmentos, da "cor desejada", tão diferente da cor domesticada, daquela que pretendendo ser fiel à natureza não passa de dado convencional. A ousadia da cor estimula a percepção, não deixa ninguém indiferente, desperta o olhar de seu sono de mesmice, atrae ou repele. O pigmento chega a extremos de provocação ao impregnar a massa densa, dútil, capaz de encrespar superfícies, solicitando o toque ou ao menos, o tatear com os olhos.
Depois do impacto inicial, é apreciar ou recusar. Fica assim, por um momento, perplexo quem vê os quadros de Teresa Viana pela primeira vez. Prosseguir na observação é permanecer cativo da tensão que agita o plano da tela em ondas, sulcos, redemoinhos, em vibrações pictóricas exacerbadas. Render-se ao estímulo sensual é coisa que pouca gente consente. Logo, o observador procura reconhecer alguma forma, algo conhecido, ver o que pode tirar daquele caos. Começa por achar uma flor, talvez várias num lago ou uma paisagem com vegetação e por aí ..."
Inspiradas na obra da artista, desenvolvemos quatro atividades: colagem gigante, pintura com massa, pintura com massinha de modelar e pintura sobre tela.
Todas serão relatadas aqui.
Para saber mais sobre a artista acesse http://www.teresaviana.com.br/index.php
Neste contexto, a coordenadora de artes da escola na qual eu trabalhava, me apresentou à obra da artista brasileira Teresa Viana. Reconhecemos no trabalho dela uma forma para que as crianças se aproximassem das possibilidades da pintura contemporânea. Criou-se assim um pequeno projeto.
Pintura, 2001
Pintura Expandida, Paço das Artes, 2003
Colagem, 2006
Teresa Viana (1960), é um artista carioca radicada em São Paulo.
Sua obra seduz pela cor. Mas, para além das intensidades cromáticas, sua pintura é volumosa.
Maria Alice Milliet escreve:
"A exuberância da matéria é revelada pela presença subversiva dos pigmentos, da "cor desejada", tão diferente da cor domesticada, daquela que pretendendo ser fiel à natureza não passa de dado convencional. A ousadia da cor estimula a percepção, não deixa ninguém indiferente, desperta o olhar de seu sono de mesmice, atrae ou repele. O pigmento chega a extremos de provocação ao impregnar a massa densa, dútil, capaz de encrespar superfícies, solicitando o toque ou ao menos, o tatear com os olhos.
Depois do impacto inicial, é apreciar ou recusar. Fica assim, por um momento, perplexo quem vê os quadros de Teresa Viana pela primeira vez. Prosseguir na observação é permanecer cativo da tensão que agita o plano da tela em ondas, sulcos, redemoinhos, em vibrações pictóricas exacerbadas. Render-se ao estímulo sensual é coisa que pouca gente consente. Logo, o observador procura reconhecer alguma forma, algo conhecido, ver o que pode tirar daquele caos. Começa por achar uma flor, talvez várias num lago ou uma paisagem com vegetação e por aí ..."
Inspiradas na obra da artista, desenvolvemos quatro atividades: colagem gigante, pintura com massa, pintura com massinha de modelar e pintura sobre tela.
Todas serão relatadas aqui.
Para saber mais sobre a artista acesse http://www.teresaviana.com.br/index.php
sábado, 25 de agosto de 2012
A Rainha das Cores
Considero o livro A Rainha das Cores (Jutta Bauer, Cosac&Naify) um despertar, um começo.
Coralina é a rainha. Ela é quase rabugenta e cheia de personalidade, assim como seus súditos, o Azul, o Vermelho e o Amarelo.
Em uma trama imersa em intriga e felicidade, conhecemos um a um e todos eles.
Quando mostro o livro para as crianças, elas desconfiam. Primeiro, suspeitam que alguém rabiscou o livro. Depois, acham que eu mesma o pintei. Afinal, como um material tão comum, e às vezes tão sem emoção, como o giz de cera ou o lápis de cor (não sei bem ao certo) poderia compor um livro, onde o que não falta são emoções?
Adoro A Rainha das Cores. Seja como uma introdução ao mundo das cores, seja de forma mais despretensiosa, como um estímulo aos rabiscos coloridos, para que Coralina se sinta feliz.
Pois, entre Coralina e Colorida há muito pouco!
E abaixo, uma animação interessante, inspirada no livro.
Coralina é a rainha. Ela é quase rabugenta e cheia de personalidade, assim como seus súditos, o Azul, o Vermelho e o Amarelo.
Em uma trama imersa em intriga e felicidade, conhecemos um a um e todos eles.
Quando mostro o livro para as crianças, elas desconfiam. Primeiro, suspeitam que alguém rabiscou o livro. Depois, acham que eu mesma o pintei. Afinal, como um material tão comum, e às vezes tão sem emoção, como o giz de cera ou o lápis de cor (não sei bem ao certo) poderia compor um livro, onde o que não falta são emoções?
Adoro A Rainha das Cores. Seja como uma introdução ao mundo das cores, seja de forma mais despretensiosa, como um estímulo aos rabiscos coloridos, para que Coralina se sinta feliz.
Pois, entre Coralina e Colorida há muito pouco!
E abaixo, uma animação interessante, inspirada no livro.
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