Mostrando postagens com marcador Lygia Clark. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lygia Clark. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Oficina para bebês: Possibilidades da Bexiga

A bexiga exerce um verdadeiro fascínio nas crianças. Elas gostam de vê-las encher, brincar e até mesmo estourar. Mas, quando pensamos em bexigas, pensamos em festa. Tentei assim investigar as possibilidades da bexiga, oferecendo diferentes formas de brincadeiras e explorações com o uso deste material. E tentei também, retirar o universo de festa infantil que ela contém. Novamente, organizei o espaço para que as crianças pudessem se deslocar livremente e brincar com tal materialidade.

E assim ficou a oficina.


Bexigas penduradas para empurrar, bexigas grudadas na parede para extrair sua sonoridade, bexigas cheias com gás hélio para voar, uma caixa cheia de bexigas para entrar, uma vasilha com bexigas preenchidas com sementes, bolinhas de gude, farinha entre outros para sentir, bexigas soltas para brincar.





















A ideia da caixa de bexigas eu tirei de uma obra da Lygia Clark que ficou em exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo há alguns anos atrás. A obra era um túnel preenchido de bexigas para atravessar. A sensação desse "atravessamento" foi incrível, e tentei recriá-lo de forma que os bebês pudessem experimentar. Pena que não tenho nenhuma imagem desta obra da Lygia Clark. De qualquer forma, a caixa foi um sucesso! E a oficina, bem animada!!


quinta-feira, 13 de março de 2014

Saquinhos Relacionais


Foi inspirado nos Objetos Relacionais da artista Lygia Clark, que foram criados os Saquinhos Relacionais. 

Nos Objetos Relacionais, a artista oferece sacos plásticos cheios de sementes, ar ou água, ou meias-calça contendo bolas, pedras e conchas, para que o público crie relações com os objetos por meio de sua textura, peso, tamanho, temperatura, sonoridade ou movimento (ver Lygia Clark)

Os Saquinhos Relacionais portanto configuram uma atividade investigativa e exploratória de texturas e sons, sendo realizada com crianças de 2 a 3 anos. 


      Os saquinhos foram preenchidos com gel de cabelo, água e conchinhas, água e farinha, farinha e alpiste. 

      O saquinho com água e conchinhas tende a ter uma vida mais curta, pois estoura mais facilmente. Também é preciso ficar atento para o que contém gel, pois pode estourar, e, na pior das hipóteses, alguma criança ingerir.

      Mas, mesmo com tais precauções, acredito que a atividade valha a pena. As crianças se encantam com as conchinhas e adoram mexer com o gel. De longe são os prediletos!







      Além destes saquinhos de plástico, também ofereci às crianças meias-calças com miçangas (o que conferiu sonoridade à atividade juntamente com o saquinho de conchinhas que simula um barulhinho de mar), meias-calças com uma bola de tênis (induzindo ao movimento) e bexigas preenchidas com massinha de modelar (ótimas para apertar com força).





      Disponibilizei todos os materiais em cima da mesa e, com grande admiração, constatei o quanto essas pequenas crianças conseguem se organizar para experimentar todos os materiais. Importante também foi perceber que o tempo de cada um com cada material foi respeitado, gerando uma experiência sensória completa!

sábado, 3 de novembro de 2012

Lygia Clark

Ocorre no Itaú Cultural, em São Paulo, uma retrospectiva da obra de Lygia Clark, uma das mais importantes artista brasileira.

O início de seu trabalho é fortemente influenciado pelo construtivismo da década de 1930.



Ao assinar o Manifesto Neoconcreto, novas diretrizes formais apontam para sua obra.
As obras abaixo são feitas de madeiras cortadas, pintadas e encaixadas como em um quebra cabeça.

 
Aqui, os recortes saem do plano, caminhando em direção a tridimensionalidade.
 

 
O Neoconcretismo define-se como tomada de posição com relação à arte concreta exacerbadamente racionalista e é formado por artistas que pretendem continuar a trabalhar no sentido da experimentação, do encontro de soluções próprias, integrando autor, obra e fruidor.

Lygia rompeu com o espaço bidimensional do quadro, aboliu a moldura, e sua obra invadiu a terceira dimensão. Dentro da sua proposta, o espectador abandona a condição passiva diante da obra e passa a interagir com ela, estabelecendo uma relação de transferência e doação.

São inúmeras obras em que a experiência do espectador é constituinte do trabalho.

Os Bichos são criados por Lygia em1960. São obras constituídas por placas de metal polido unidas por dobradiças, que lhe permitem a articulação. As obras são inovadoras: encorajam a manipulação do espectador, que conjugada à dinâmica da própria peça, resulta em novas configurações.

 

Em 1963, Lygia Clark começa a realizar os Trepantes, formados por recortes espiralados em metal ou em borracha, como Obra-Mole (1964), que, pela maleabilidade, podem ser apoiados nos mais diferentes suportes ocasionais como troncos de madeira ou escada.



Em Luvas Sensoriais (1968) dá-se a redescoberta do tato por meio de bolas de diferentes tamanhos, pesos e texturas.


A instalação A Casa É o Corpo: Labirinto (1968) oferece uma vivência sensorial e simbólica, experimentada pelo visitante que penetra numa estrutura de 8 metros de comprimento, passando por ambientes denominados "penetração", "ovulação", "germinação" e "expulsão".

 
 


A partir de 1976, Lygia Clark dedica-se à prática terapêutica, usando Objetos Relacionais, que podem ser, por exemplo, sacos plásticos cheios de sementes, ar ou água; meias-calças contendo bolas; pedras e conchas. Na terapia, o paciente cria relações com os objetos, por meio de sua textura, peso, tamanho, temperatura, sonoridade ou movimento. Eles permitem-lhe reviver, em contexto regressivo, sensações registradas na memória do corpo, relativas a fases da vida anteriores à aquisição da linguagem.



 
 
 
Veja no teaser da exposição do Itaú Cultural estas obras, e muitas outras, sendo experimentadas e manipuladas.



Devido a exposição, foram gravados muitos videos interessantes sobre a obra de Lygia Clark. Selecionei então alguns para aprofundar um pouco na poética da artista.

No video abaixo, Felipe Scovino, um dos curadores da exposição, fala sobre a passagem da obra de Lygia Clark do plano bidimensional para o tridimensional, da importância dos Bichos para a arte nacional e mundial, e também sobre a participação do espectador na obra da artista.



Neste outro video, Felipe Scovino fala sobre o percurso artístico da artista.



E, neste próximo,  passeia pelas obras presentes na exposição, conceituando-as e contextualizando-as.



Por fim, temos Alessandra Clark falando sobre a linha, um aspecto integrante da poética da artista que perdurou em sua obra.



Mais adiante, falarei sobre as possibilidades de trabalhos educativos a partir de sua obra.